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 O  filme, “Je suis Charlie” (L’humeur à mort) os diretores Daniel e Emmanuel Lecont, é mais um registro da nossa barbarie contemporânea que, assentada em ações que compartilham uma obsessão destrutiva que, tanto se expressa no ataque a expressão imaterial do outro, articulada na triade Simbólico, Real e Imaginário, a exemplo do humor corrosivo das caricaturas de  Charlie; como também se expressa  na própria destruição material do outro, a exemplo da qual foi vitima Charlie.

A tomada de tais eventos como objeto do cinema faz parte da narrativação que desliza ao longo do processo de requalificação do outro, por meio dde cujas brechas se evidencia a natureza performática do outro que, ora é um aliado a ser apoiado, ora é um inimigo a ser destruido, a exemplo do que aconteceu com Sadam Hussein e Bin Laden.. 



O filme aludido se insere na construção da narrativa da barbarie generalizada que tem como ponto de partida a invasão do Iraque pelos EUA com a  justificativa incongruente de que Sadan Hussein possuía armas de destruição em massa que constituiria uma ameaça real para todos os estados democráticos, a partir do que se detonou um processo de destruição simbólica e imaginária que se mostrou eficaz na demonização de Sadan Hussein, ainda que carente de evidência empírica. 

O filme aludido se insere nessa narrativa ao tratar de um evento cuja motivação tem sua origem, em boa parte, nos efeitos da destruição simbólica e imaginária de alguns estados nacionais, a exemplo do Iraque e da Líbio, o que permitiu o retorno de um recalcado que se imaginva destruido pelo processos de institutição desses mesmos estados recentemente destruidos na configuração tradicional.  Esse recalcado são os ódios tribais que na busca de Real inacessivel e, portanto, indestrutível, articula novas identidades simbólicas e imaginárias, a exemplo do Estado Islâmico, entre outros.

O paradoxal é que, mesmo todos os protagonistas tendo em comum uma obssesão por um real inacessível, os franceses com sua busca por uma identidade republicana e os orientais por sua identidade islâmica, base para um fandamentalismo que se organiza para praticar e expandir o terrorismo em nome de Deus, que na sua inacessibilidade se constitui o objeto "a" por execelência, uma expressão emblemática do objeto causa de desejo que começa a mobilizar cada vez mais os corações e mentes. («Allahou akbar!»


Enfim, temos o enfrentamento de duas violências.  documentam  como, por motivo de religião,  doze jornalistas caricaturistas   do jornal francês “Charlie Hebdo”  em janeiro de 2015 foram  chacinados pelos irmãos Kouachi e outros onze ficaram feridos, no ataque á redação  em janeiro de 2015. 


De um lado, o ataque dos islamistas radicais chocante por sua brutalidade e que levou milhões de franceses à rua em cidades da França, da Europa e das Américas para protestar, é para os terroristas um atentado à sua lógica, a de que se alimentam dos mortos e que o aumento do seu número justifica e até lhes dá mais legitimidade. Do outro, o ataque de Charles ao simbólico e ao imaginário islâmico, ao retratar na sua charge que  retrata o profeta Maomé, que, de acordo com o islamismo, não pode ser representado através de imagens, o que em sim  já configura uma violência imaginária.      Daí não ser surpresa a ira  que provocou nos fundamentalistas, já tinha motivado o incêndio criminoso da redação do “Charlie Hebdo”, embora o jornal não resuma sua atividade à sátira aos símbolos islâmicos.   Em função disto,  tanto a violência dos islamitas como a dos franceses deve ser lida em três níveis correspondentes á triada lacaniana do Real, do Imaginário e do Simbólico.  

No caso de Charles constata-se, em primeiro lugar, há o espetáculo imaginário que dá uma cara ao inimigo invisível, sem rosto, que não hesita em atacar indiferenciadamente a todos, entre  inocentes e culpáveis, militares e civis porque sabem que não haverá retaliação aos homens-bomba, os seus suicidas. Em segundo lugar, há o contexto ideológico subjacente, o nível simbólico do chiste que revela a verdade oculta, não há Deus;  como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a se demonstrar, em nome de Deus se tem permitido e justificado tudo, o mais horrendo e o mais cruel,  mas pela vontade e ação dos homens. Por fim, há o aspecto econômico da cultura e da religião “civilizada”  do progresso em prol dos benefícios globalisantes mais do que com uma redistribuição adequada da riqueza.


No caso dos islamitas ....
 

Tudo isso termina no impasse entre, de um lado, a pulsão de morte e do outro, a disssolução das particularidades que tem sua expressão maior na moeda, no mercado, e faz os inconscientes  irromper (ou avisinhar-se) de novo entre os humanos,sejam os islamitas ou os franceses. O que acaba não por fazer da besta o homem, mas do homem a besta: a bosta





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