Análise de medidas em grafos para conectividade funcional em redes de modo padrão na demência da doença de Alzheimer leve utilizando técnicas de aprendizado de máquina.

Introdução

Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa que surge, em geral, após a sétima década de vida, e acarreta alterações cognitivas como déficit de memória episódica, nomeação e outros déficits de linguagem, habilidades visuo-esoaciais, praxias e funções executivas.

Estima-se que, em todo o mundo, mais de 27 milhões de pessoas sofram de DA (A 2006). E é a principal causa de demência na população idosa, responsável por cerca de 60 a 70% de todas as demências.

Sua prevalência tem aumentado progressivamente devido, uma das causas é o envelhecimento da população mundial. A prevalência da doença dobra, a cada 5 anos, em média, passando de 1% aos 60 anos e chegando a mais de 40% da população com mais de 85 anos de idade (JL 2002). Com o avanço tecnológico e científico, a expectativa de vida média vêm aumentando a cada ano, e estima-se que em 2050 serão cerca de 100 milhões de casos da DA em todo o mundo (Wimo 2013).

Existem alguns fatores de risco conhecidos para a DA de início tardio, como idade, doenças vasculares e fatores genéticos como a presença do alelo \(\epsilon\)4 da apolipoproteína E(APOE4), uma proteína carreadora de colesterol envolvida no metabolismo das placas neuríticas (PN) (J 2001).

Existem 5 alelos para a APOE, numerados de \(\epsilon\)1 a \(\epsilon\)5, sendo o mais comum o \(\epsilon\)3 (cerca de 90% da população caucasiana com 1 alelo e 60% com 2 alelos), o \(\epsilon\)2, cuja presença pode conferir proteção contra o depósito de peptídeo \(\beta\)-amilóide (\(\beta\)A) e o \(\epsilon\)4, com cerca de 30 % da população com 1 alelo (EH 1998).

Do ponto de vista anátomo-patológico, as PN e os emaranhados neurofibrilares (ENF) são as características mais marcantes da DA.

O estudo da fisiopatologia do \(\beta\)A levou ao desenvolvimento de novas propostas terapêuticas, como a inibição da atividade das enzimas \(\gamma\) e \(\beta\)-secretase e/ou estimulação da atividade da \(\alpha\)-secretase, ou ainda, imunoterapia com anticorpos anti-\(\beta\)A. Porém, apenas o depósito do \(\beta\)A não explica toda a fisiopatologia da DA, além de apresentar pouca correlação com a gravidade da demência (CB 2007), (J 2001).

Os ENF contém FHP originados da hiperfosforilação da proteína tau. Algumas áreas cerebrais são mais vulneráveis a esse processo patológico, como os hipocampos e os córtices frontais. É comum ocorrer nessas regiões FHP contendo proteína tau