ROUGH DRAFT authorea.com/119226
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  • Registro e reutilização de conhecimento em atividades do processo de desenvolvimento de software

    Abstract

    O processo de desenvolvimento de software é um processo intensivo em conhecimento. O conhecimento envolvido nesse processo muitas vezes se perde, pela ausência da gerência dele durante a execução do processo. Uma vez não considerado, informações que poderiam ser reutilizadas de forma a ajudar o gerente de projeto em suas tarefas são perdidas. Esse trabalho busca então sugerir, através de uma revisão de literatura, formas de incluir características inerentes a Gestão do Conhecimento [GC] na gestão de projetos, a fim de possibilitar registro e reuso do conhecimento que é gerado durante a execução do processo, focado nas atividades e necessidades dos gestores, através de lições aprendidas em projetos anteriores.

    Introdução

    Processos intensivos em conhecimento carregam uma bagagem de atividades baseadas em aquisição e manipulação de conhecimento(Rodrigues 2015). Esse conhecimento é perdido se não registrado de maneira que possa ser reutilizado. Em 1998, Davenport já citava a importância da gerência do conhecimento (Davenport 1998), além de também caracterizar objetivos que projetos que envolvem conhecimento devem manter, como criar repositórios de conhecimento, transformar conhecimento tácito em explícito e outros. A captura do conhecimento visa não só manter documentado o que foi feito, mas também permitir que essa documentação possa ser reutilizada de forma que mesmo sem ter experiência, uma pessoa consiga executar tarefas a partir de informações registradas de outras pessoas com mais experiência, além de também permitir que novos conhecimentos sejam criados.

    De acordo com o PMBOK, o papel do gerente de projetos é garantir que a organização atinja os objetivos propostos pelo projeto (Guide 2001). Dentre suas tarefas, podem estar a contratação de pessoas para o projeto, a alocação delas nas determinadas tarefas, a gerência do tempo e custo, além de também trabalhar para garantir que padrões propostos pelo projeto ou organização estejam sendo cumpridos. Como ferramenta para auxilia-lo nesse processo, são usados repositórios de documentos e gerenciadores de tarefas. Mesmo com tecnologia e automação disponíveis, a realidade da gerência de projetos não é trivial, pois existem prazos a serem cumpridos e espera-se que o projeto tenha qualidade e que a produtividade não seja prejudicada(Rus 2002). Com essas dificuldades, realizar tarefas extras durante a execução do projeto para documentar conhecimento sobre o que foi feito torna-se ainda mais desafiador.

    Na gerência de projetos, o conhecimento pode surgir através da experiência do próprio gerente ou através de lições aprendidas de projetos passados. Ambos esses conhecimentos, se registrados, podem ser reutilizados de forma a influenciar positivamente na execução de novas instâncias de processos para desenvolvimento de projetos de software.

    Esse trabalho visa associar quais aspectos da gestão do conhecimento podem ser utilizados a fim de garantir que o conhecimento envolvido em processos que são intensivos em conhecimento, usando então como exemplo o processo de desenvolvimento de software que realiza a gerência de requisitos, sejam registrados e possam ser reutilizados por gerentes de projeto ao executar suas tarefas.

    A seção 2 deste trabalho trata da fundamentação teórica em que ele baseia-se, e aborda o conhecimento envolvido na gerência de projetos na seção 2.1, gestão de conhecimento na seção 2.2 e na seção 2.3, trata processos intensivos em conhecimento. No capítulo 3 está a proposta para reutilização de conhecimento através do registro das lições aprendidas durante a execução do processo pelo gerente de projetos e a conclusão e trabalhos futuros estão presentes no capítulo 4.

    Fundamentação Teórica

    O conhecimento da gerência de projetos

    O gerente de projetos de software pode realizar diversas tarefas, como a contratação e alocação de recursos em projetos, a administração de tempo e custo deles, e também realizar tarefas de garantia de qualidade em projetos. Essas atividades estão presentes em diversos momentos do desenvolvimento, onde o gerente deverá estar envolvido, controlando o andamento do projeto, negociando escopo e prazos com os stakeholders e garantindo sua entrega. O conhecimento do gerente pode ser agregado a essas atividades conforme sua experiência e também através do registro de lições aprendidas nos projetos, informações essas que, se devidamente registradas, podem ser reutilizadas de forma a reduzir os riscos do projeto. A documentação do projeto muitas vezes é superficial e registra apenas os resultados do projeto, as falhas e fatores de sucesso poucas vezes são registrados, e ao final do projeto encerra-se também o ciclo de aprendizagem, as pessoas envolvidas são transferidas para novos projetos ou saem da empresa, portanto parte do conhecimento para a solução de problemas é perdido. O risco da perda de conhecimento é muito grande para empresas que trabalham com processos intensivos em conhecimento, seria possível não realizar trabalhos redundantes ou repetir erros caso estes fossem devidamente registrados (Schindler 2003).

    A facilitação da gerência do conhecimento poderia possibilitar ao gerente de projetos melhor compartilhamento de práticas e das metodologias de engenharia de sistemas, assim como registrar o porque devida ação foi tomada e o raciocínio usado para chegar até a decisão (Liebowitz 2003).

    No início do projeto existem dois riscos, que são não aprender com lições de projetos passados e não atender as necessidades de conhecimento do projeto (Reich 2008). Sem acesso a lições aprendidas, o time poderá perder conhecimento do domínio e institucional do projeto, e isso pode delimitar a forma como o gerente planeja e monitora o projeto (Thomas 2000).